A discussão sobre os desafios da Organização das Nações Unidas (ONU) foi destaque durante o Debate Geral da 81ª Sessão da Assembleia Geral, realizada de 22 a 28 de setembro em Nova York. Neste momento em que a ONU é cada vez mais solicitada a enfrentar problemas globais, a instituição enfrenta dificuldades para oferecer respostas efetivas.
Pedro Dallari, professor e comentarista, apontou que a contradição se torna evidente: enquanto há críticas sobre a ineficácia da ONU, a demanda por seus serviços aumenta. Isso se deve à necessidade de consenso entre as grandes potências, que atualmente enfrentam uma crise em suas relações, resultando em paralisia em muitos serviços da organização.
A Assembleia Geral, que se reúne anualmente desde 1946, convida chefes de governo e de Estado dos 193 países-membros para discutir temas globais. Dallari enfatiza que, apesar da crise, a ONU continua sendo essencial para enfrentar desafios como aquecimento global, pandemias e riscos de conflitos nucleares, que não podem ser resolvidos isoladamente pelos países.
O professor ressalta que, apesar dos problemas da ONU, sua ausência seria ainda mais prejudicial. O tema central deste ano foi ‘Restaurar a confiança e gerir a transformação’, com o objetivo de promover mudanças que permitam à ONU enfrentar os desafios contemporâneos.
Além disso, há expectativa para a escolha de um novo secretário-geral ou secretária-geral da ONU, com forte apoio a uma liderança feminina da América Latina, região que deve assumir o cargo segundo o sistema de rotatividade. Dallari conclui que, apesar da crise, há uma oportunidade para buscar soluções.