A cerimônia de entrega do 36º prêmio Ig Nobel, que homenageia pesquisas científicas inusitadas, ocorreu em 3 de setembro de 2026, em Zurique, na Suíça. O evento reconheceu estudos que, segundo os organizadores, “primeiro fazem as pessoas rir e depois pensar”. Na categoria biologia, o pesquisador João Miguel Alves-Nunes, do Instituto de Biociências da USP, foi premiado pelo trabalho intitulado “Estudo do comportamento defensivo de uma cobra venenosa como uma nova abordagem para entender a picada de cobra”.
O estudo analisou 117 cobras, incluindo adultos, juvenis e recém-nascidos, com o objetivo de investigar o comportamento defensivo dos animais e sua relação com incidentes de picadas. Os resultados indicam que fatores como tamanho, sexo, estágio de vida, temperatura e tipo de contato influenciam a ocorrência de mordidas defensivas.
João Miguel Alves-Nunes explicou que o estudo focou na espécie Bothrops jararaca, responsável por 90% a 99% das picadas de cobra no Brasil. A pesquisa também cruzou dados epidemiológicos de picadas em São Paulo, abrangendo registros de 2009 a 2022.
O pesquisador destacou que a premiação foi uma celebração inesperada. “Eu sempre gostei da ideia do prêmio e quando veio, foi uma verdadeira festa”, disse. O estudo, que envolveu provocar as cobras para entender quando elas mordem, gerou mais de 40 mil situações de resposta defensiva, resultando em várias hospitalizações para o pesquisador.
Apesar de o artigo premiado ter sido posteriormente retratado pela revista Scientific Reports devido a problemas de documentação ética, Alves-Nunes enfatizou que a discussão científica gerada pelo estudo continua relevante. “A notícia da retratação foi um choque, mas a premiação ajudou a suavizar a situação”, afirmou.
O prêmio Ig Nobel, criado pela revista Annals of Improbable Research, é uma paródia do Nobel e reconhece pesquisas que fazem as pessoas rir e pensar. Este ano, pela primeira vez, a premiação foi realizada fora dos Estados Unidos, reunindo cientistas de todo o mundo.