sexta-feira, 09 de outubro de 2026
Postado emSão Paulo, Tecnologia

Desafios na formação de pesquisadores e financiamento de projetos no Brasil

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Desafios na formação de pesquisadores e financiamento de projetos no Brasil
Desafios na formação de pesquisadores e financiamento de projetos no Brasil

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) enfrenta um dilema crescente entre a formação de pesquisadores e a disponibilidade de recursos para pesquisa. Em junho de 2026, as despesas com bolsas representaram 58% do orçamento da fundação, um aumento significativo em relação à média histórica de 35%. Entre 2023 e 2025, o número de bolsas contratadas cresceu 73%, enquanto os auxílios a projetos aumentaram apenas 3,7%.

A formação de mestres e doutores é essencial, mas a falta de infraestrutura e recursos para pesquisa levanta preocupações. O que acontece com os pesquisadores que retornam ao Brasil sem laboratórios adequados, equipamentos ou financiamento estável?

Experiências internacionais, como as da União Europeia, mostram que a formação deve estar alinhada com a capacidade de pesquisa. No Brasil, a Capes e o CNPq têm focado na formação, mas a concentração de recursos em bolsas dificulta o fomento a projetos de pesquisa.

A situação é agravada pela dificuldade de importação de insumos, com a cota federal de isenção para importações de pesquisa caindo drasticamente nos últimos anos. Isso cria um paradoxo: enquanto se investe na formação de pesquisadores, as condições para que possam atuar de forma efetiva são limitadas.

São Paulo, com suas universidades e agências de fomento, tem potencial para desenvolver uma estratégia mais integrada para a ciência. A Fapesp pode liderar essa discussão, promovendo uma diferenciação nas funções das instituições e priorizando a pesquisa e a formação de competências específicas.

Além disso, a inovação deve ser parte dessa estratégia, com papéis claros para universidades e empresas. A Fapesp tem a capacidade de financiar iniciativas que aproximem a academia do setor privado, mas é fundamental que as responsabilidades sejam bem definidas.

Por fim, a discussão sobre as BEPEs (Bolsa de Estágio de Pesquisa) deve ir além da simples manutenção de estágios. É necessário refletir sobre o futuro do sistema científico paulista e as prioridades que precisam ser revistas para construí-lo de forma sólida.

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