A socióloga Marina Chaves de Macedo Rego, em seu novo livro “Conheço meu lugar: paulistanidade e estigmatização nordestina nas eleições presidenciais”, aborda o preconceito eleitoral contra os Estados do Nordeste, destacando que essa questão não é um fenômeno isolado, mas parte de um projeto de limitação eleitoral. A obra, resultado de sua tese de doutorado defendida na USP, foi lançada em um momento de intensas disputas políticas.
Marina analisa como o discurso de ódio tem sido utilizado para afastar o eleitorado do Centro-Sul de pautas sociais. A autora observa que a imprensa tradicional paulista perpetua estereótipos negativos sobre a região, associando-a ao atraso e à irracionalidade política, especialmente após a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva em 2022.
“O que se percebe na imprensa tradicional brasileira é a tentativa de associar o PT, em particular, e as esquerdas, de modo geral, unicamente ao Nordeste”, afirma Marina. Ela ressalta que essa associação é uma estratégia para marginalizar as populações nordestinas e suas mobilizações, além de tentar distanciar o Centro-Sul de pautas progressistas.
A socióloga também destaca que, embora o Nordeste enfrente a ascensão da extrema-direita, seu padrão de votação tem sido uma barreira ao reacionarismo. Marina menciona que a hostilidade enfrentada pela região após cada eleição pode ter reforçado um comportamento eleitoral que respeita valores democráticos.
Além disso, ela critica os ataques verbais da família Bolsonaro aos nordestinos, que incluem ofensas e deslegitimação do voto nordestino. Para Marina, é fundamental entender a complexidade e heterogeneidade do eleitorado nordestino, assim como reconhecer que todas as regiões do Brasil têm potencial para mobilizações populares.