Uma pesquisa da Unesp identificou prejuízos auditivos em crianças com microcefalia decorrente da Síndrome Congênita do Zika (SCZ), que afetou cerca de 1.600 recém-nascidos entre 2015 e 2016, segundo o Ministério da Saúde.
A professora Ana Cláudia Figueiredo Frizzo, do Departamento de Fonoaudiologia da Unesp, liderou o estudo que analisou os efeitos do vírus Zika na audição e na linguagem dessas crianças. Os resultados, publicados na revista Brazilian Journal of Otorhinolaryngology, indicam que as crianças apresentam um desenvolvimento auditivo e linguístico atípico.
O estudo envolveu 20 crianças, sendo 10 com microcefalia e 10 do grupo controle. Os pesquisadores utilizaram testes de Potenciais Evocados Auditivos (PEA) para avaliar a resposta do cérebro aos sons da fala, revelando que as crianças afetadas têm grandes riscos de não desenvolver uma percepção auditiva adequada.
Frizzo destacou a importância da intervenção precoce, sugerindo que a estimulação auditiva e linguística pode mitigar os efeitos negativos. Além disso, a pesquisa pode contribuir para a formulação de políticas públicas de saúde voltadas ao atendimento dessas crianças, que atualmente carecem de protocolos específicos.
A Lei nº 15.156, de 2025, prevê benefícios federais para pessoas com deficiência permanente decorrente da SCZ, incluindo indenização e pensão vitalícia.
A professora Frizzo continua a investigar os impactos do Zika na audição infantil e participa de um estudo financiado pelo National Institutes of Health (NIH), que acompanhará crianças expostas ao vírus, mas que não desenvolveram a síndrome.
