O Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina de 2026 foi concedido aos pesquisadores Peter Hegemann, Georg Nagel e Karl Deisseroth por suas contribuições à optogenética, técnica que controla a atividade de células nervosas com luz. O anúncio foi feito pelo Comitê Nobel do Karolinska Institutet, na Suécia, na segunda-feira (5).
A pesquisa premiada começou com estudos sobre a alga Chlamydomonas reinhardtii, onde Hegemann e Nagel identificaram proteínas sensíveis à luz. Deisseroth, posteriormente, introduziu o gene da channelrhodopsin em neurônios, demonstrando que era possível ativar essas células com luz azul.
A optogenética permite ativar ou inibir circuitos neuronais com precisão, sendo uma ferramenta valiosa para investigar comportamento, memória e doenças neurológicas. Licio Augusto Velloso, da Unicamp, destaca que a técnica é um avanço significativo na neurociência e já é utilizada em suas pesquisas sobre o hipotálamo e controle da fome.
O professor Marcondes Cavalcante França Junior, da Unicamp, ressalta que mais de 15 mil artigos sobre optogenética foram publicados nos últimos 20 anos, com aplicações em doenças como Parkinson e epilepsias. Daniel Martins de Souza, também da Unicamp, explica que a técnica permite modular a atividade genética e estudar fenômenos biológicos além do sistema nervoso.
