A 383ª Reunião Ordinária do Conselho Nacional de Saúde, realizada em Brasília no dia 8 de outubro, abordou os desafios e perspectivas da saúde mental no Brasil, em alusão ao Dia Mundial da Saúde Mental, comemorado em 10 de outubro. O encontro enfatizou a importância do cuidado integral e a luta contra a internação compulsória.
A discussão destacou a evolução do modelo de cuidado em saúde mental no Brasil, que agora prioriza a liberdade e a dignidade das pessoas em sofrimento mental, superando práticas do passado que isolavam e negavam direitos. A Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) foi citada como um avanço significativo, com 3.158 Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e mais de 88 mil profissionais atuando na área.
Os participantes do debate alertaram para novos desafios que afetam a saúde mental, como o uso excessivo de tecnologia, a precarização do trabalho e as desigualdades sociais. A psicóloga Ana Carolina Freire Lopes destacou que o acesso ao cuidado é influenciado pelas desigualdades e que é essencial garantir que as pessoas consigam acessar os serviços de saúde mental adequadamente.
Fabiana Helena Valmore, socióloga e militante do movimento antimanicomial, defendeu a importância da participação das pessoas em sofrimento mental nas decisões sobre sua saúde e ressaltou o papel da arte e da cultura nesse contexto. O coordenador da Comissão Intersetorial de Saúde Mental, Derivan Brito da Silva, reforçou a necessidade de fortalecer o controle social do Sistema Único de Saúde (SUS) e denunciou violações de direitos em residências terapêuticas.
A presidenta do CNS, Fernanda Magano, e outros conselheiros reiteraram a importância de um cuidado integral e contínuo, além de um financiamento adequado para a RAPS, enfatizando que os recursos públicos devem ser utilizados de maneira eficaz para garantir a saúde mental da população.
