Uma pesquisa da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP revela como o rádio foi utilizado como um instrumento de difusão de ideias e interesses políticos no Brasil entre 1922 e 1945. O estudo mostra que, apesar das diferenças entre os contextos históricos, a disputa pelo controle dos meios de comunicação continua relevante na formação da opinião pública.
O historiador Matan Ankava, autor do estudo, destaca que “quem domina os canais de comunicação e consegue mobilizá-los para fazer suas mensagens circular detém sempre um imenso capital político”. O trabalho analisa o uso do rádio pelo governo de Getúlio Vargas, especialmente entre 1934 e 1937, quando o veículo se tornou crucial para a comunicação oficial e a articulação diplomática.
O professor Antônio Mota, da Unifesp, observa que a era Vargas exemplifica como os meios de comunicação podem ser usados para promover ideias autoritárias e fortalecer projetos políticos. “As condições históricas são distintas, mas essas questões permanecem atuais diante do avanço da extrema-direita”, afirma.
A pesquisa aponta que o uso político do rádio pelo governo Vargas estava ligado ao cenário internacional dos anos 1930, quando regimes autoritários na Europa influenciavam a comunicação no Brasil. O governo brasileiro estabeleceu contatos com estruturas de propaganda da Alemanha nazista e da Itália fascista, ampliando a circulação de discursos alinhados a esses regimes.
Durante o Estado Novo, o rádio se tornou um meio estratégico para a divulgação de mensagens oficiais, especialmente após a criação do Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), que controlava os meios de comunicação e promovia a imagem do presidente. A Rádio Nacional, incorporada ao patrimônio da União em 1940, também se destacou por sua programação diversificada, contribuindo para a formação da opinião pública.
À medida que a Segunda Guerra Mundial avançava, o Brasil alterou seu alinhamento internacional, estreitando laços com os Estados Unidos. O rádio passou a refletir essa nova orientação política, integrando-se às estratégias de aproximação com os Aliados e promovendo novas referências culturais.