Um levantamento do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) revela que, entre 2025 e 2026, 84% das escolas tinham internet disponível para os alunos. No entanto, 38% dessas instituições não contavam com internet e computadores simultaneamente, evidenciando uma desigualdade no acesso.
A discrepância é ainda mais acentuada entre escolas urbanas e rurais: 73% das escolas urbanas tinham acesso a internet e computadores, enquanto apenas 41% das rurais possuíam esses recursos. Para o professor Marcelo Giordan, da Faculdade de Educação da USP, é crucial que o ensino acompanhe as transformações tecnológicas, proporcionando a todos os alunos condições adequadas para o uso crítico dessas ferramentas.
Giordan destaca a importância de alinhar as intenções de alunos e professores no uso da tecnologia. “Para que a tecnologia traga mudanças significativas, precisa estar aliada a intenções compartilhadas”, afirma. Apesar do aumento no acesso à internet nas escolas, ele ressalta que as desigualdades persistem, especialmente em atividades coletivas que exigem condições adequadas de participação.
O professor também alerta para a descontinuidade das políticas públicas educacionais, que mudam com a troca de governantes, e a falta de financiamento contínuo da educação. Em relação à formação docente, apenas 22% dos gestores afirmaram que suas instituições tinham um guia para o uso da inteligência artificial no ensino.
Giordan enfatiza a necessidade de preparar os professores para utilizar novas tecnologias de forma pedagógica e aborda os desafios éticos relacionados à inteligência artificial, como a confiança nas informações e a atribuição de autoria. Ele defende que a tecnologia deve ampliar as possibilidades de aprendizado, mas que as intenções de alunos e professores devem estar alinhadas.
Por fim, o professor ressalta a importância de estabelecer limites claros para o uso de novas tecnologias, evitando que elas comprometam o planejamento e a autonomia dos educadores. “Acredito que todo controle exacerbado tira a liberdade, então precisamos estar muito atentos a essa disputa”, conclui.
