Um número crescente de mulheres, especialmente da geração Z, tem optado por não priorizar relacionamentos amorosos. Esse movimento, que ganha destaque nas redes sociais, permite que muitas compartilhem suas experiências e frustrações afetivas.
O termo “boy sober” tem sido utilizado para descrever um período de abstinência de relacionamentos, similar a um detox afetivo. A psiquiatra Carmita Abdo, da Universidade de São Paulo, destaca que as redes sociais influenciam a percepção das mulheres sobre namoro e casamento, substituindo referências que antes eram formadas por livros e filmes.
Historicamente, o matrimônio foi visto como uma transação comercial, com as mulheres sem autonomia para decidir sobre suas vidas. Abdo observa que, apesar de resquícios de ideais machistas, as mulheres estão cada vez mais focadas em suas carreiras e projetos pessoais, o que altera as expectativas sociais.
A especialista explica que muitas mulheres preferem ficar solteiras quando suas expectativas em relação a um parceiro não são atendidas. Experiências negativas anteriores também podem desestimular novas tentativas de relacionamento.
Abdo diferencia entre aquelas que escolhem permanecer solteiras e aquelas que enfrentam dificuldades em estabelecer vínculos. Afastar-se de relacionamentos após experiências ruins pode ser uma estratégia saudável para refletir sobre padrões afetivos.
Assim, a decisão de ficar solteira pode ser uma escolha consciente, permitindo que as mulheres priorizem outros aspectos de suas vidas ou não aceitem relacionamentos que não atendam às suas expectativas.
