Uma pesquisa de mestrado da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP revela um apagamento histórico dos clubes de futebol de várzea em São Paulo, especialmente aqueles formados por negros e para negros, no início do século 20. O autor do estudo, Everton Cassimiro Apolinário, destacou que a falta de registros e a escassa cobertura midiática contribuíram para essa invisibilidade.
A dissertação, intitulada ‘Do oficial ao invisível: futebol varzeano e protagonismo negro na cidade de São Paulo’, foi orientada pela professora Simone Scifoni. Apolinário enfatiza que, além do esporte, os clubes representavam uma forma de resistência ao racismo e à segregação da época.
O pesquisador utilizou fontes como a Hemeroteca Digital e jornais da imprensa negra para mapear a atuação de clubes que, na década de 1930, eram predominantemente formados por jogadores da comunidade negra. Ele identificou áreas de atuação dos times, como Pinheiros, que hoje é um bairro nobre, mas que já foi um território negro.
O estudo também aborda a trajetória do Negritude Futebol Clube, fundado na década de 1980, que se inspira em movimentos anteriores e reflete a luta por direitos civis. Apolinário conclui que, apesar da falta de registros históricos, a identidade e a valorização do negro brasileiro estão presentes na história do futebol de várzea.
O futebol, que chegou ao Brasil em 1894, inicialmente era uma prática elitista, mas a várzea se tornou um espaço de expressão e criatividade para a população negra. O pesquisador aponta que a elitização do esporte levou à exclusão de jogadores negros de times da elite, perpetuando questões raciais complexas dentro do futebol.