A peça ‘Jararaca(s)’, do Grupo Pavilhão da Magnólia, está em cartaz no Teatro da USP, no Centro MariAntonia, até 8 de novembro.
O espetáculo narra a trajetória do cangaceiro José Leite de Santana, conhecido como Jararaca, que fez parte do bando de Lampião e foi santificado em Mossoró (RN). O diretor Murillo Ramos destaca um dos principais questionamentos da obra: “De quem são os corpos que sofrem as violências do Estado? Geralmente são corpos pretos e das pessoas mais pobres”.
Com foco nos últimos dias de vida de Jararaca, a peça retrata sua captura após a invasão de Mossoró em 1927, onde ele foi ferido e preso. Durante os sete dias de encarceramento, a obra explora as relações entre cangaceiros, coronéis e o governo, culminando em sua morte violenta, que Ramos descreve como uma forma de silenciamento.
A figura de Jararaca se transformou em um santo popular após sua morte, com muitos visitando seu túmulo em Mossoró. O dramaturgo Giordano Castro, que compôs o texto, ressalta a má condução jurídica e a tortura que precederam sua morte, discutindo a violência do Estado sobre o povo nordestino.
O título da peça, no plural, provoca reflexões sobre outras vítimas da violência estatal, questionando quais histórias são reconhecidas e quais são esquecidas. A peça é uma parceria entre o Grupo Pavilhão da Magnólia e outras instituições culturais.
‘Jararaca(s)’ é apresentada de quinta a sábado às 20 horas e aos domingos às 19 horas, com entrada gratuita. Os ingressos devem ser retirados na bilheteira do Centro MariAntonia uma hora antes do espetáculo.