Rodrigo Meirelles, doutorando da Faculdade de Saúde Pública da USP, retornou de Parintins, no Amazonas, onde investigou o impacto da telemedicina, que opera na região há cerca de 20 anos. O objetivo da pesquisa é entender como esse serviço transforma as relações sociais, o trabalho e a organização política da saúde no contexto do Sistema Único de Saúde (SUS).
Parintins, localizada a 369 km de Manaus, é famosa pelo Festival de Parintins e abriga o primeiro serviço público de telemedicina do Brasil. Meirelles destaca que a telemedicina, especialmente durante a pandemia de covid-19, ampliou o acesso a atendimentos médicos a distância, mas também trouxe novos desafios relacionados às desigualdades na distribuição de médicos especialistas.
O pesquisador aponta que a dependência de instituições fora do município pode criar novas formas de desigualdade. Ao conectar pacientes de áreas urbanas e rurais a especialistas em Manaus e São Paulo, a telemedicina enfrenta barreiras de comunicação e compreensão cultural, como exemplificado por um caso em que um profissional local teve que traduzir uma expressão regional para um especialista distante.
Desde os anos 2000, a Organização Mundial da Saúde reconhece a telemedicina como uma ferramenta para ampliar o acesso à saúde. No Brasil, o SUS já conta com 29 Núcleos de Telessaúde e está expandindo sua cobertura. Em Parintins, existem 22 pontos de telessaúde, permitindo acesso remoto a diversas especialidades médicas.
A pesquisa de Meirelles, orientada pela professora Aurea Maria Zöllner Ianni, busca contribuir para uma compreensão mais ampla da digitalização na saúde e está em fase final, com financiamento da Fapesp.