Pesquisadores da USP alertam para os riscos da expressão ‘pobre de direita’, que pode prejudicar o diálogo com camadas populares.
O debate, segundo o linguista George Lakoff, deve priorizar o enquadramento dos temas, pois as pessoas interpretam a realidade por meio de quadros e metáforas. Por exemplo, um grupo que defende a privatização de universidades pode apresentar essa medida como uma busca por eficiência, ignorando seu papel estratégico no desenvolvimento nacional.
A expressão ‘pobre de direita’ pode ser ofensiva, pois desqualifica o interlocutor e pressupõe que sua posição política é incompatível com sua condição social. Essa desqualificação pode, paradoxalmente, fortalecer valores conservadores.
Além disso, a popularização das mídias sociais tem promovido um discurso meritocrático, onde a pobreza é associada à esquerda e a prosperidade à direita. Essa visão ignora a realidade de muitos que não se identificam com essa dicotomia.
Os termos ‘comunista de iPhone’ e ‘pobre de direita’ refletem a mesma lógica, reforçando a ideia de que o esquerdismo é para os pobres e o conservadorismo, para os ricos. Assim, o uso da expressão ‘pobre de direita’ pelo campo progressista pode acabar favorecendo a direita, ao consolidar a pobreza como um atributo político de sua base eleitoral.