As projeções climáticas para 2026 e 2027 e os possíveis impactos de um El Niño intenso foram tema de debate nesta quarta-feira (21), durante o El Niño Day, na Associação Comercial de Santos (ACS).
O encontro reuniu especialistas e representantes de diferentes setores para discutir os reflexos do fenômeno no agronegócio, no comércio exterior, no transporte marítimo, na infraestrutura portuária e nas cidades.
Com o conceito “O clima muda. O cenário também”, o evento, organizado pela ACS com apoio da Prefeitura de Santos, buscou ampliar o conhecimento sobre os possíveis efeitos das alterações climáticas e contribuir para a preparação dos setores econômicos diante dos riscos previstos.
A programação começou com o pesquisador José Marengo, do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), que explicou o fenômeno El Niño e as características que podem levar à classificação de um episódio como intenso. Lucas Carvalho, da Climatempo, abordou os impactos das condições climáticas no agronegócio, com atenção às cadeias produtivas de café, milho, soja e açúcar.
Os efeitos do fenômeno no campo, desde o plantio até a colheita, foram discutidos por Rodrigo Moreira Albano da Silva, da Cooxupé.
Já a relação entre as alterações climáticas, o comércio internacional e a atividade portuária foi tema da apresentação do capitão-tenente Fellipe Romão Sousa Correia, da Seção de Previsão do Centro de Hidrografia da Marinha (CHM), vinculado à Diretoria de Hidrografia e Navegação (DHN).
O encerramento foi dedicado aos possíveis efeitos do El Niño nos municípios, com a participação de Fernanda Alarcon, da Seção de Mudanças Climáticas (Seclima) da Prefeitura, e da professora Alexandra Sampaio, do Núcleo de Pesquisas Hidrodinâmicas da Universidade Santa Cecília (Unisanta).
O debate destacou a importância de considerar as particularidades de cada cidade na preparação para os efeitos dos fenômenos climáticos. Em Santos, o planejamento envolve a avaliação de riscos e a articulação entre diferentes áreas, com atenção às condições locais e à necessidade de fortalecer a capacidade de prevenção e resposta a eventos extremos.
“Discutir os impactos do El Niño nas cidades é fundamental para antecipar riscos e aprimorar o planejamento urbano. O Plano de Ação Climática de Santos (PACS) estabelece diretrizes para enfrentar as mudanças climáticas, com medidas de mitigação e adaptação aos seus impactos. A iniciativa contribui para orientar políticas públicas e preparar o Município para os desafios relacionados aos eventos extremos”, destaca Fernanda Alarcon.
A discussão teve continuidade em Santos com a recepção de Marengo no Paço Municipal. O encontro abordou a importância de aprofundar os estudos sobre os fenômenos climáticos e desenvolver estratégias para enfrentar seus efeitos.
Marengo destacou a necessidade de ampliar o conhecimento sobre os fenômenos e seus impactos nas cidades. “Precisamos entender as tendências climáticas, identificar as vulnerabilidades e desenvolver soluções que considerem as características de cada município, unindo conhecimento científico e planejamento”, ressaltou.
“Estamos empenhados em ampliar o monitoramento e buscar informações que nos ajudem a planejar a Cidade e reduzir os impactos dos eventos climáticos extremos”, destacou o prefeito Rogério Santos.