A professora Raquel Rolnik questiona a insistência na construção de vias sobre rios e defende uma mudança urgente na política de circulação da capital.
Na coluna Cidade para Todos desta semana, a professora Raquel Rolnik comenta sobre os problemas de enchentes e transbordamentos de rios quando há incidência de chuvas muito fortes.
Na primeira quinzena de outubro tivemos um dia com uma grande concentração de chuva em pouco tempo causando grandes transtornos em várias regiões da cidade de São Paulo. A professora comenta que “esse é o novo normal”.
“Com todas as mudanças que já estão acontecendo no clima, essa concentração grande de chuva em pouco tempo é um padrão que está se repetindo, especialmente na Região Metropolitana de São Paulo”, comenta.
O clima será cada vez mais extremo e a cidade não está preparada. Segundo a colunista, “os rios estão reclamando os seus leitos e suas várzeas”. A política de circulação da cidade paulista, historicamente, privilegiou montar um sistema viário em cima de um rio canalizado.
“A Prefeitura da cidade propõe continuar fazendo a mesma política, por exemplo, estender mais a Marginal de Pinheiros ao lado do rio, ou construir um túnel em cima de um córrego na Vila Mariana. A pergunta que eu faço é: quantas centenas de carros têm que sair boiando na cidade de São Paulo para a gente entender e fazer uma inflexão na política de circulação”, enfatiza Raquel Rolnik.
A coluna Cidade para Todos, com a professora Raquel Rolnik, vai ao ar quinzenalmente quinta-feira às 8h30, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9), com produção da Rádio USP, Jornal da USP e TV USP.
