Exercícios simples realizados com o peso do corpo podem ajudar a reduzir a fragilidade em idosos, segundo um estudo da USP. O programa de treinamento intervalado foi aplicado em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) em Sorocaba (SP) e mostrou resultados positivos na força e no desempenho funcional dos participantes, além de melhorar a pressão arterial.
O professor de Gerontologia da USP, Francisco Luciano Pontes Júnior, explica que a fragilidade é uma condição que afeta a resistência do organismo a estresses, como infecções, e está associada a dificuldades em atividades diárias e maior risco de quedas. No Brasil, a prevalência de fragilidade é de 9,1%, enquanto a pré-fragilidade atinge 51,8% da população idosa.
A pesquisa acompanhou 60 idosos com média de 74 anos por seis meses. Um grupo participou de sessões de exercícios com peso corporal, enquanto o outro manteve suas atividades habituais. Os resultados mostraram que aqueles que se exercitaram apresentaram maior probabilidade de melhorar sua condição de fragilidade.
As sessões de treinamento, realizadas três vezes por semana, incluíam aquecimento, exercícios intervalados e alongamento, com aumento gradual da intensidade. Os exercícios foram adaptados e incluíram variações de agachamentos e movimentos multiarticulares.
A avaliação da fragilidade dos participantes seguiu o modelo Fenótipo de Fragilidade de Fried, que considera critérios como perda de peso, exaustão e força de preensão manual. Após o treinamento, 80% dos participantes inicialmente frágeis melhoraram para a condição de pré-fragilidade, e 20% tornaram-se robustos.
O professor Pontes destaca que o programa de treinamento com peso corporal pode ser uma estratégia eficaz na atenção primária à saúde, exigindo pouca infraestrutura e sem necessidade de equipamentos especializados. Ele ressalta a importância do trabalho conjunto entre profissionais de Educação Física e equipes de saúde na prevenção de condições crônicas.