A energia nuclear de fusão é vista como uma alternativa mais segura e confiável em comparação à fissão, utilizada nas usinas nucleares convencionais. Pesquisadores globalmente buscam desenvolver usinas que operem com fusão, um processo similar ao que ocorre no núcleo do Sol, visando reduzir a produção de resíduos radioativos.
Gustavo Canal, professor do Instituto de Física da USP e autor do Programa Nacional de Fusão Nuclear, explica que a fissão envolve a fragmentação de núcleos pesados, como o urânio, liberando energia, mas gerando resíduos radioativos. Em contrapartida, a fusão combina núcleos leves, como o deutério e o trítio, resultando em hélio e nêutrons, sendo este último responsável por cerca de 80% da energia gerada, com uma eficiência dez vezes superior à fissão.
Contudo, a fusão nuclear ainda enfrenta desafios, como a necessidade de temperaturas extremas, em torno de 150 milhões de graus Celsius, para que as reações ocorram. Atualmente, o tokamak JET, na Inglaterra, alcançou 70% da energia consumida para manter o plasma quente.
Um projeto promissor é o ITER, na França, que busca produzir dez vezes mais energia do que consome. Thiago Mastrangelo, professor do Centro de Energia Nuclear na Agricultura da USP, destaca que a fusão é teoricamente mais segura, pois o principal produto é o hélio, um gás inerte, ao contrário dos perigos associados à fissão, como os acidentes em Chernobyl e Fukushima.
Além da geração de eletricidade, a fusão nuclear pode ter aplicações em outras áreas, como na produção de hidrogênio e na medicina, através da geração de radioisótopos. O potencial da fusão nuclear se estende além da energia, podendo beneficiar diversos setores da sociedade.
