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quarta-feira, 04 de novembro de 2026
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Secretaria de Educação de Franco da Rocha promove palestra sobre afeto na infância

Secretaria de Educação de Franco da Rocha promove palestra sobre afeto na infância
Secretaria de Educação de Franco da Rocha promove palestra sobre afeto na infância
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A educadora Jussara Santos realizou a palestra “Descolonizando o Colo” na Secretaria de Educação de Franco da Rocha, abordando racismo e a importância do afeto nos cuidados com bebês e crianças pequenas, com a participação de professores, a secretária Eduardo Reis e demais profissionais da rede municipal.

Encontro recebeu a educadora e doutora em Educação Jussara Santos, autora do livro “Democratização do Colo”, e reuniu profissionais da rede municipal para discutir o cuidado e o acolhimento de bebês e crianças pequenas

O auditório da Secretaria de Educação ficou lotado para receber a educadora e pesquisadora em Educação Jussara Santos, responsável pela palestra “Descolonizando o Colo”, na última terça-feira (27). Autora do livro Democratização do Colo: Educação antirracista para e com bebês e crianças pequenas, Jussara apresentou estudos e pesquisas sobre as manifestações do racismo nas relações de cuidado durante a primeira infância. Para contextualizar o tema, também compartilhou histórias de sua família, músicas que marcaram sua vida e registros fotográficos pessoais, aproximando o debate da realidade vivida por crianças negras.

Durante a palestra, a educadora mostrou como o racismo também se manifesta nas relações cotidianas de cuidado com bebês e crianças pequenas, especialmente na maneira como crianças negras são acolhidas, escutadas e tratadas nos espaços educativos. A partir daí, a autora destacou que a falta de afeto e de acolhimento pode deixar marcas profundas, enquanto experiências de cuidado e valorização contribuem para que as crianças cresçam se reconhecendo como pessoas amadas, respeitadas e pertencentes aos ambientes em que vivem.

Segundo a pesquisadora, a proposta de democratizar o colo parte do reconhecimento de que todas as crianças têm direito ao carinho, à proteção e à atenção. Além de um gesto de cuidado, o colo representa uma forma de estabelecer vínculos, transmitir segurança e reconhecer a individualidade de cada criança.

O bate-papo com os profissionais da educação também chamou a atenção para práticas cotidianas que, mesmo quando naturalizadas, podem reproduzir desigualdades raciais desde a primeira infância. “Uma educação antirracista se faz de janeiro a janeiro. A promoção dessa educação deve ser feita por todas as pessoas envolvidas nos processos educacionais, sejam professores, familiares, gestores e demais educadores. Abraçar, acariciar os cabelos, dar colo, sorrir e trocar olhares são fazeres importantes. Por isso, aos responsáveis pelas crianças, indico veementemente: democratizem o colo”, recomendou Jussara.

Para a professora Daniela Cristina, a palestra apresentou, por meio de pesquisas desenvolvidas por Jussara, situações que dialogam diretamente com a realidade vivenciada pelas profissionais no cotidiano escolar. “É importante que todos os profissionais da rede participem de palestras como essa, tanto negros quanto brancos. É uma oportunidade de olhar para o cuidado com as crianças negras a partir de diferentes vivências e perspectivas e compreender como nossas atitudes podem fazer diferença na construção do futuro dessas crianças”.

O secretário de Educação, Eduardo Reis, destacou que a análise da proposta curricular do município apontou a necessidade de ampliar o trabalho com a educação para as relações étnico-raciais. “Quando iniciamos um olhar para o currículo, identificamos a necessidade de dedicar mais força e energia à educação para as relações antirracista e iniciamos diferentes projetos desde o ano passado”, pontuou.

Entre as ações desenvolvidas pela Secretaria estão a criação do Grupo de Trabalho de Educação Antirracista, a oferta de cursos e formações para os profissionais da rede, o Novembro Negro e a elaboração do Protocolo Antirracista. O trabalho também inclui expedições pedagógicas a territórios indígenas e espaços de memória, além da Mostra de Arte “Vozes Femininas Afro-Brasileiras e Indígenas”, que valoriza as histórias e contribuições de mulheres negras e indígenas.

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