A educadora Jussara Santos realizou a palestra “Descolonizando o Colo” na Secretaria de Educação de Franco da Rocha, abordando racismo e a importância do afeto nos cuidados com bebês e crianças pequenas, com a participação de professores, a secretária Eduardo Reis e demais profissionais da rede municipal.
Encontro recebeu a educadora e doutora em Educação Jussara Santos, autora do livro “Democratização do Colo”, e reuniu profissionais da rede municipal para discutir o cuidado e o acolhimento de bebês e crianças pequenas
O auditório da Secretaria de Educação ficou lotado para receber a educadora e pesquisadora em Educação Jussara Santos, responsável pela palestra “Descolonizando o Colo”, na última terça-feira (27). Autora do livro Democratização do Colo: Educação antirracista para e com bebês e crianças pequenas, Jussara apresentou estudos e pesquisas sobre as manifestações do racismo nas relações de cuidado durante a primeira infância. Para contextualizar o tema, também compartilhou histórias de sua família, músicas que marcaram sua vida e registros fotográficos pessoais, aproximando o debate da realidade vivida por crianças negras.
Durante a palestra, a educadora mostrou como o racismo também se manifesta nas relações cotidianas de cuidado com bebês e crianças pequenas, especialmente na maneira como crianças negras são acolhidas, escutadas e tratadas nos espaços educativos. A partir daí, a autora destacou que a falta de afeto e de acolhimento pode deixar marcas profundas, enquanto experiências de cuidado e valorização contribuem para que as crianças cresçam se reconhecendo como pessoas amadas, respeitadas e pertencentes aos ambientes em que vivem.
Segundo a pesquisadora, a proposta de democratizar o colo parte do reconhecimento de que todas as crianças têm direito ao carinho, à proteção e à atenção. Além de um gesto de cuidado, o colo representa uma forma de estabelecer vínculos, transmitir segurança e reconhecer a individualidade de cada criança.
O bate-papo com os profissionais da educação também chamou a atenção para práticas cotidianas que, mesmo quando naturalizadas, podem reproduzir desigualdades raciais desde a primeira infância. “Uma educação antirracista se faz de janeiro a janeiro. A promoção dessa educação deve ser feita por todas as pessoas envolvidas nos processos educacionais, sejam professores, familiares, gestores e demais educadores. Abraçar, acariciar os cabelos, dar colo, sorrir e trocar olhares são fazeres importantes. Por isso, aos responsáveis pelas crianças, indico veementemente: democratizem o colo”, recomendou Jussara.
Para a professora Daniela Cristina, a palestra apresentou, por meio de pesquisas desenvolvidas por Jussara, situações que dialogam diretamente com a realidade vivenciada pelas profissionais no cotidiano escolar. “É importante que todos os profissionais da rede participem de palestras como essa, tanto negros quanto brancos. É uma oportunidade de olhar para o cuidado com as crianças negras a partir de diferentes vivências e perspectivas e compreender como nossas atitudes podem fazer diferença na construção do futuro dessas crianças”.
O secretário de Educação, Eduardo Reis, destacou que a análise da proposta curricular do município apontou a necessidade de ampliar o trabalho com a educação para as relações étnico-raciais. “Quando iniciamos um olhar para o currículo, identificamos a necessidade de dedicar mais força e energia à educação para as relações antirracista e iniciamos diferentes projetos desde o ano passado”, pontuou.
Entre as ações desenvolvidas pela Secretaria estão a criação do Grupo de Trabalho de Educação Antirracista, a oferta de cursos e formações para os profissionais da rede, o Novembro Negro e a elaboração do Protocolo Antirracista. O trabalho também inclui expedições pedagógicas a territórios indígenas e espaços de memória, além da Mostra de Arte “Vozes Femininas Afro-Brasileiras e Indígenas”, que valoriza as histórias e contribuições de mulheres negras e indígenas.