O Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) e outras agências meteorológicas têm alertado para a ocorrência de um El Niño intenso a partir do segundo semestre de 2026, fenômeno que altera padrões climáticos globalmente. No Brasil, especialistas apontam para chuvas intensas no Sul e aumento de temperaturas no Sudeste, ambas acima das médias históricas.
Em um estudo publicado na revista Plos One, o pesquisador Thiago Salomão de Azevedo, da Unesp, analisou a relação entre o El Niño e a infestação do mosquito Aedes aegypti, vetor da dengue, em São Paulo. Azevedo observa que, embora o fenômeno possa aumentar a proliferação do mosquito, outros fatores também influenciam os casos de dengue.
“Eu posso ter a ocorrência do El Niño e não ter muitos casos porque, além da condição climática, eu tenho que ter pessoas suscetíveis à infecção”, explica Azevedo. Ele destaca que a imunidade da população aos sorotipos circulantes da dengue tem contribuído para a redução dos casos em 2026.
O pesquisador alerta que o ambiente urbano favorece a proliferação do Aedes aegypti e que a competição com outros mosquitos pode limitar seu crescimento. Ele enfatiza a importância de ações de combate ao mosquito, já que é difícil mitigar os efeitos do El Niño. A participação da população na vigilância de reservatórios de água é essencial para prevenir surtos de dengue.