A professora Nora Noffke, especialista em esteiras microbianas da Old Dominion University, visitou o Instituto de Geociências da Unicamp em junho para colaborar em uma pesquisa sobre a Formação Botucatu, um antigo deserto do Cretáceo Inferior no interior de São Paulo.
Financiado pela Fapesp, o estudo busca utilizar as características desse deserto como análogas às de Marte. Noffke, que recentemente se juntou à Agência Espacial Europeia (ESA), está em busca de evidências de vida extinta no planeta vermelho a partir de imagens de rovers.
“Se nós sabemos o que procurar na Terra, em um sistema de desertos fósseis, poderemos usar esse conhecimento para identificar bioassinaturas associadas a vida pretérita em Marte”, afirmou Noffke.
A pesquisadora participou de atividades de campo na Formação Botucatu com estudantes e pesquisadores de instituições como a Unesp e a UFRN, focando na investigação de esteiras microbianas. Durante o trabalho, foram encontradas estruturas rochosas bem preservadas que confirmaram a presença dessas esteiras em diferentes condições de umidade.
Fresia Ricardi-Branco, professora do IG, destacou que esse tipo de vida nunca havia sido registrado na área. “As feições associadas aos biofilmes no deserto Botucatu podem ser semelhantes às bioassinaturas fósseis de Marte”, explicou.
A Formação Botucatu servirá como uma “biblioteca de possibilidades” para ajudar a ESA na identificação de sinais de vida em Marte. Os resultados da pesquisa devem ser publicados em breve.
Esta foi a segunda visita de Noffke à Unicamp; em 2023, ela ministrou uma palestra sobre prospecção de vida fóssil em Marte.
