Um estudo recente reinterpreta as evidências da colonização do fundo oceânico, revisando marcos importantes na evolução da vida na Terra. Pesquisadores identificaram que, ao contrário do que se acreditava, os registros encontrados em rochas brasileiras não são de organismos complexos, mas sim de aglomerados de bactérias e algas simples.
A pesquisa, liderada por Bruno Becker-Kerber da Universidade de Harvard e com a colaboração de Lucas Warren da Unesp, utilizou novas técnicas analíticas para reavaliar amostras de fósseis do Grupo Corumbá, em Mato Grosso do Sul. Os resultados foram publicados na revista Gondwana Research.
O estudo sugere que a colonização do fundo marinho, um marco entre os períodos geológicos Pré-Cambriano e Cambriano, ocorreu de forma diferente do que se pensava. “Entender o momento dessa colonização é muito importante”, afirma Warren.
Os pesquisadores enfrentaram desafios devido à falta de material genético preservado, o que os levou a analisar a morfologia dos fósseis. Utilizando tecnologias avançadas, como microtomografia e microscopia eletrônica, conseguiram identificar que os vestígios eram de microrganismos filamentosos, e não de invertebrados.
As técnicas de microtomografia foram realizadas no acelerador de partículas Sirius, em Campinas, permitindo a visualização tridimensional dos fósseis sem danificá-los. Essa abordagem inovadora possibilitou novas descobertas sobre a história da vida no planeta.