A expansão dos aluguéis por temporada, como os oferecidos pelo Airbnb, tem gerado uma redução na oferta de imóveis residenciais e um aumento nos preços, intensificando o debate sobre a necessidade de regulamentação dessas plataformas digitais.
Na coluna desta semana, Luli Radfahrer discute como essas plataformas têm alterado o mercado imobiliário, tornando mais atrativo para os proprietários alugar imóveis por curtos períodos, o que resulta na diminuição de moradias disponíveis para moradores permanentes.
Radfahrer observa que em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, os bairros com maior fluxo turístico apresentam um número elevado de imóveis listados nas plataformas, o que contribui para a valorização imobiliária e a gentrificação, afastando moradores de menor renda e alterando as características sociais e culturais das áreas.
Outro aspecto destacado é o uso de algoritmos de precificação dinâmica, que tendem a aumentar e uniformizar os preços das diárias. Enquanto isso, o setor hoteleiro enfrenta uma concorrência desigual, já que os hotéis estão sujeitos a regulamentações e tributações mais rigorosas.
Radfahrer sugere que é possível equilibrar o aluguel por temporada com o acesso à moradia através de regulamentações específicas, como limites para locações de curta duração e exigências de cadastro dos anfitriões. Cidades como Amsterdã, Barcelona e Nova York já implementaram medidas semelhantes, e o debate avança no Brasil, incluindo discussões sobre a atualização do Código Civil e restrições em condomínios.