Um estudo da Faculdade de Medicina da USP indica que gestantes e mulheres no pós-parto enfrentam um risco significativamente maior de sofrer violência psicológica por parte de parceiros ou ex-parceiros. A pesquisa, publicada na revista Journal of Interpersonal Violence, destaca que essa forma de violência não apenas afeta a saúde mental das mães, mas também pode prejudicar o desenvolvimento do feto e levar a partos prematuros.
Os dados analisados foram coletados na Pesquisa Nacional de Saúde de 2019, envolvendo 26.006 mulheres de 18 a 49 anos. As participantes foram divididas em grupos conforme seu histórico reprodutivo, revelando que gestantes ou mães de bebês com menos de 18 meses têm 94% mais chances de sofrer violência psicológica em comparação às mulheres sem filhos.
O estudo também observou que a violência psicológica, que inclui comportamentos como insultos e ameaças, foi mais prevalente do que a violência física ou sexual durante a gestação e o pós-parto. A taxa de violência psicológica entre a população feminina avaliada foi de 7,9%, enquanto a violência física ou sexual atingiu 3,6%.
Fatores como baixa escolaridade e renda familiar reduzida foram associados ao aumento da vulnerabilidade das mulheres a esses abusos. O pesquisador Alexandre Faisal Cury enfatiza a importância de tratar a violência por parceiro íntimo como um problema de saúde pública, especialmente entre populações vulneráveis.
O estudo recomenda a implementação de estratégias de prevenção focadas no período perinatal, com treinamento para equipes de saúde a fim de identificar sinais de abuso psicológico e oferecer suporte adequado. A triagem rotineira em serviços de saúde é sugerida para atender as necessidades de mulheres em situação de vulnerabilidade.
