Um estudo da Unesp revelou que a presença de cães influencia o comportamento das onças-pardas em Unidades de Conservação no interior de São Paulo. A pesquisa, publicada na revista Biological Conservation, constatou que, em vez de serem temidas, as onças alteram seu comportamento para evitar locais onde cães estiveram.
Utilizando armadilhas fotográficas em duas unidades de conservação, os pesquisadores observaram que as onças-pardas demoram em média 74 horas para retornar a áreas onde cães passaram, e levam entre cinco e seis dias para retomar o uso habitual dessas regiões. Essa estratégia sugere que as onças evitam o contato com os cães, mesmo sem confrontos diretos.
A bióloga Rita Bianchi, da Unesp, destacou que o aumento de cães circulando em áreas protegidas motivou a pesquisa. “Queríamos entender por que eles estavam ocupando essas áreas e quais consequências isso poderia trazer para a fauna nativa”, explicou.
O estudo analisou 67 armadilhas fotográficas e registrou 300 eventos com cães e 194 com onças-pardas. Os cães mostraram comportamento diurno, enquanto as onças mantiveram atividade crepuscular e noturna, resultando em encontros raros entre as duas espécies.
Rodolpho Gonçalves da Silva, primeiro autor do estudo, ressaltou que a simples presença de cães pode impactar a qualidade de vida das onças, que evitam áreas de boa qualidade para caça. Esse fenômeno, conhecido como “paisagem do medo”, altera rotas de deslocamento e hábitos alimentares dos animais, mesmo sem interações diretas.
Os pesquisadores acreditam que as onças podem associar cães à presença humana, o que as leva a evitar ambientes com forte influência humana. Embora os registros tenham sido feitos em áreas protegidas, os cães pertencem a propriedades rurais nas proximidades, destacando a necessidade de monitoramento e manejo adequado para proteger a fauna silvestre.
