Três ex-ministros do governo Lula criticaram nesta sexta-feira (24) a conduta do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e do campo bolsonarista em relação ao pacote de tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil. O governo de Donald Trump confirmou novo tarifaço no último dia 15.
Durante convenção estadual do PDT, em São Paulo, Márcio França (PSB), ex-ministro de Portos e Aeroportos, afirmou que o estado de São Paulo foi particularmente lesado: “Trump retaliou exatamente nas coisas que São Paulo produz. No café, no móvel. Eles apoiaram. Quem vai nos indenizar?”
Marina Silva (Rede), ex-ministra do Meio Ambiente, disse que o tarifaço prejudica “nossa produção de etanol, de biocombustível, de calçado, de toda a nossa indústria, e ele [Tarcísio] disse que isso não é um problema dele”. A ambientalista acrescentou: “É um problema de quem não prefere botar o chapéu do Trump em vez de botar o chapéu da agricultura, da indústria e dos interesses do Brasil”.
Simone Tebet (PSB), ex-ministra do Planejamento, também fez menção direta ao apoio de Tarcísio a Trump. “Quando é que o governador Tarcísio vai tirar o boné lá do MAGA [Make America Great Again], e pedir desculpas para a população paulista por defender os Estados Unidos acima dos interesses do Brasil?”
França, Marina e Tebet fazem parte da chapa de Fernando Haddad (PT) em São Paulo. França é pré-candidato a vice-governador; Marina e Tebet, pré-candidatas ao Senado.
No primeiro tarifaço de Trump, Tarcísio responsabilizou Lula, dizendo que “a responsabilidade é de quem governa” e que “Lula colocou sua ideologia acima da economia”. No dia da posse de Trump, em 20 de janeiro, o governador postou vídeo colocando o boné de campanha de Trump. Após reação negativa, moderou o discurso e defendeu negociação. Na última semana, afirmou: “A gente tem que deixar de procurar narrativas para entender a coisa sob o prisma comercial”.
Na convenção, França também criticou privatizações no estado, dizendo que concessões e vendas foram feitas sem valorização dos patrimônios. “Congonhas se pagou em dois anos. A Sabesp se paga em três.” O g1 procurou o governo do estado, mas não obteve retorno.
