Pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) e do Hospital das Clínicas (HC) desenvolveram uma nova estratégia de baixo custo para detectar superbactérias no intestino de pacientes internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). O teste rápido, semelhante aos utilizados em farmácias, consegue identificar a presença desses microrganismos em apenas seis horas, reduzindo o tempo de diagnóstico tradicional em até 60 horas.
O professor Matias Chiarastelli Salomão, um dos autores do estudo, destaca que a técnica funciona como uma ferramenta acessível para o controle de infecções. “Ele oferece a velocidade de um teste molecular caro, mas por uma fração do preço e sem necessidade de máquinas complexas”, afirma. Essa inovação permite que hospitais públicos e laboratórios com recursos limitados realizem diagnósticos precoces, economizando recursos e evitando isolamentos desnecessários.
Apesar das vantagens, os pesquisadores alertam que o controle das superbactérias requer cuidados contínuos, como o uso adequado de antibióticos e rigor na higiene. O método convencional de cultivo de bactérias em laboratório leva de dois a três dias para fornecer resultados, forçando os pacientes a ficarem em isolamento preventivo, o que gera desperdício de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e estresse desnecessário.
A nova abordagem envolve a coleta de amostras via swab retal, que são colocadas em um caldo nutritivo por seis horas antes de serem testadas. As Enterobactérias Resistentes a Carbapenêmicos (ERC) são consideradas uma das principais ameaças à saúde global, com alta taxa de mortalidade associada a infecções no Brasil.
Os estudos sobre essa nova técnica foram publicados em periódicos especializados, destacando sua importância na detecção e controle de infecções em ambientes críticos.
