A Organização Marítima Internacional (IMO), da ONU, estabeleceu em maio de 2026 a maior Área de Controle de Emissões (ECA) do mundo no Oceano Atlântico Nordeste. A medida visa reduzir a poluição do ar em áreas costeiras, com potencial de evitar mais de 4 mil mortes prematuras e reduzir gastos com saúde em 29 bilhões de euros até 2050, segundo estudos que embasaram a decisão.
As ECAs regulamentam as emissões de poluentes como óxidos de nitrogênio e enxofre e materiais particulados. O professor Alexander Turra, do Instituto Oceanográfico da USP, explica que o controle é essencial perto de grandes centros urbanos para proteger a saúde da população. A nova ECA conecta todas as áreas já existentes, que antes se limitavam à América do Norte e Europa, incluindo agora a Groenlândia e as Ilhas Faroé.
A pesquisadora Patrícia Ferrini Rodrigues, da USP, participou de estudos do International Council on Clean Transportation que embasaram a criação da área. Ela lista doenças que podem ser prevenidas com a redução da poluição: cardiovasculares, cerebrovasculares, diabetes, asma, bronquite, pneumonia, câncer de pulmão e até Alzheimer. “Quando você reduz o impacto em saúde, tem um impacto gigantesco na economia”, afirma.
Para cumprir as regras, os navios devem usar combustíveis mais limpos ou filtros, o que aumenta o custo do transporte. O país da zona econômica exclusiva fiscaliza o cumprimento, e o país da bandeira da embarcação é responsável por se adequar. A medida também beneficia o meio ambiente, reduzindo danos à biodiversidade marinha e a introdução de espécies invasoras.
