Como garantir o emprego e a valorização das pessoas em uma indústria cada vez mais automatizada? Essa questão motivou a pesquisa de doutorado de Nubia Gabriela Pereira Carvalho, defendida no Departamento de Engenharia de Produção da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP. A tese propõe um roadmap organizacional, um roteiro prático que ajuda empresas a gerenciar a transição da Indústria 4.0 para a 5.0, assegurando que o trabalho humano seja considerado.
O estudo, orientado pelo professor Mateus Cecílio Gerolamo, da Esalq/USP, foca no design principle de descentralização, que distribui o poder de decisão por vários níveis hierárquicos. Segundo Nubia, a Indústria 4.0 priorizou tecnologias como robôs e dados, muitas vezes substituindo a força humana. Já a Indústria 5.0 traz o ser humano ao centro, apoiada em sustentabilidade, resiliência e centralidade no ser humano.
“Um dos fatores que se espera manter é a presença dos design principles. O escolhido foi o de descentralização em níveis hierárquicos organizacionais”, explica a pesquisadora. O roadmap inclui 33 diretrizes e 95 metas, desenvolvidas com especialistas brasileiros e alemães. O roteiro organiza metas estratégicas, gerenciais e operacionais para autonomia dos funcionários.
Para o professor Gerolamo, a descentralização é mandatória para usufruir das vantagens tecnológicas. “As organizações precisam se livrar dos modelos tradicionais de comando e controle”, afirma. A pesquisa está disponível no Banco de Teses da USP.