Trocar elevador por escada, caminhar até o ponto de ônibus ou usar bicicleta no lugar do carro são pequenas mudanças que podem fazer grande diferença na saúde. Especialistas da USP destacam que qualquer movimento é melhor do que ficar parado, e que a chave para vencer o sedentarismo é encontrar uma atividade prazerosa.
O professor Júlio Serrão, da Escola de Educação Física e Esporte da USP, explica que atividade física é qualquer prática que envolve se movimentar, sendo “imensamente superior a não fazer nada”. Já o exercício físico é uma prática sistematizada, como treinos de musculação, corrida ou esportes. Para uma vida saudável, é preciso combinar ambos.
A Organização Mundial da Saúde recomenda de 150 a 300 minutos semanais de atividade moderada ou 75 a 150 minutos de atividade vigorosa. No Brasil, dados da Vigitel 2024 mostram que 33,3% dos adultos não praticam atividade física suficiente, com as mulheres (39,7%) em situação pior que os homens (25,7%).
A pesquisadora Andreia Alexandra Machado Miranda, do Nupens/FSP-USP, aponta que mulheres enfrentam dupla ou tripla jornada, reduzindo o tempo para autocuidado. Estudo publicado no International Journal of Behavioral Nutrition and Physical Activity, que acompanhou moradores de São Paulo por dez anos, revelou que homens brancos com maior escolaridade são os mais ativos, enquanto mulheres de grupos raciais minoritários e menor escolaridade têm os menores níveis de atividade.
Para o educador Guilherme Leutwiler Gabas, do Cepeusp, não é preciso praticar uma hora contínua de exercícios: programas de baixo volume já trazem benefícios. “Pequenas mudanças na rotina, como caminhar parte do trajeto, usar escadas e fazer pausas ativas, contribuem para uma vida mais ativa”, reforça Andreia.
Os especialistas defendem que a responsabilidade não é apenas individual: políticas públicas devem garantir espaços seguros e orientação profissional. “A atividade física reflete as condições sociais em que as pessoas vivem”, conclui Andreia.
