Um estudo da Faculdade de Medicina da Unesp em Botucatu identificou dois biomarcadores que podem antecipar a evolução clínica de pacientes que sofrem parada cardiorrespiratória dentro do hospital, condição que apresenta taxa de mortalidade de cerca de 85% segundo o Ministério da Saúde.
Os pesquisadores analisaram amostras de sangue de 199 pacientes internados no Hospital das Clínicas da FMB entre agosto de 2021 e abril de 2023, coletadas até 48 horas antes da ocorrência da parada. As amostras, originalmente destinadas a exames de rotina, foram armazenadas e utilizadas para a investigação.
A análise metabolômica revelou que níveis elevados de 2‑metilbutiril‑L‑carnitina estavam associados à falta de retorno da circulação espontânea (ROSC) e ao óbito, enquanto concentrações reduzidas de triptofano foram observadas nos pacientes que morreram.
“Os achados ajudam a compreender processos biológicos que antecedem a parada. Ou seja, indicam vias metabólicas que parecem estar ativadas nos pacientes com pior evolução. Agora, precisamos investigar se é possível interferir nessas vias e contribuir para melhorar o prognóstico”, afirmou a doutoranda Taline Lazzarin.
De acordo com o orientador Marcos Ferreira Minicucci, o diferencial do estudo foi a coleta de sangue antes da parada, evitando a interferência da falta de oxigênio nos tecidos: “Até o momento, todas as investigações de biomarcadores em pacientes com parada cardiorrespiratória se davam a partir da coleta do sangue durante ou após o evento. No nosso trabalho, a análise é feita com o sangue coletado até 48 horas antes, sem qualquer interferência”.
Os resultados sugerem que a detecção precoce desses metabólitos poderia orientar estratégias de prevenção, como intervenções dietéticas ou desenvolvimento de testes de baixo custo, ampliando as opções de monitoramento para pacientes em risco de parada cardíaca.