Pesquisadoras da Unicamp desenvolveram uma modificação genética que pode aumentar em até 30% o rendimento da produção de bioetanol de segunda geração (2G). A tecnologia, criada em parceria com instituições dos Estados Unidos, utiliza bactérias geneticamente modificadas para simplificar o processo produtivo e reduzir custos. A patente foi licenciada para a empresa norte-americana Terragia Biofuel, que dará continuidade aos testes em escala ampliada.
O estudo, conduzido pela doutoranda Layse Costa de Souza no Centro de Biologia Molecular e Engenharia Genética (CBMEG) da Unicamp, integra um acordo de pesquisa entre a universidade, o Dartmouth College e a Terragia Biofuel. O trabalho faz parte do Laboratório de Biocombustíveis Avançados de Segunda Geração (A2G), financiado pela Fapesp por meio do programa São Paulo Excellence Chair (SPEC).
O etanol 2G, produzido a partir de resíduos como bagaço e palha de cana, tem potencial para reduzir emissões de carbono, mas seu custo ainda é alto devido às etapas de pré-tratamento e uso de enzimas. A nova rota substitui as leveduras por bactérias anaeróbias termofílicas, que conseguem degradar a biomassa e fermentar em um único processo, eliminando etapas caras.
As pesquisadoras focaram na bactéria Thermoanaerobacterium thermosaccharolyticum, que produz etanol com eficiência, mas não degrada celulose. Ao mapear seu metabolismo, identificaram proteínas-chave e transferiram seus genes para a Clostridium thermocellum, que degrada celulose mas tinha baixa produção de etanol. A engenharia genética resultou em linhagens com rendimento até 30% maior em testes de bancada.
Um dos achados centrais foi o papel da hidrogenase HfsD, que, ao contrário do esperado, é essencial para o equilíbrio de elétrons e produção de etanol. A hipótese, chamada de “balanço redox por ciclagem por hidrogênio”, foi apresentada na defesa de doutorado de Souza em abril de 2026. Segundo o pesquisador Christopher Herring, da Terragia, o avanço pode viabilizar economicamente a conversão de biomassa em combustível.