O Banco Central informou nesta sexta-feira (31) que as empresas estatais federais registraram um déficit de R$ 7,8 bilhões no primeiro semestre deste ano, o pior resultado para o período desde o início da série histórica, em 2002. O rombo supera o recorde negativo anterior, de R$ 3,9 bilhões em 2025, e já ultrapassa o déficit anual de R$ 6,73 bilhões registrado em 2024.
O déficit ocorre quando as despesas das estatais superam as receitas geradas. A série do BC não inclui Petrobras, Eletrobras e bancos públicos. O governo federal, no projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2027, admite que as estatais continuarão no vermelho até 2030.
Para a Instituição Fiscal Independente (IFI), ligada ao Senado, os indicadores financeiros mostram uma “deterioração perceptível” da saúde financeira de “parte relevante” das estatais, elevando o risco para o Tesouro Nacional. A piora é agravada principalmente pela crise dos Correios, que teve rombo de R$ 8,5 bilhões em 2025.
Os Correios contrataram um empréstimo de R$ 12 bilhões com garantia da União em dezembro de 2025 e, em fevereiro, o Conselho Monetário Nacional autorizou nova captação. Para tentar reduzir o déficit, o governo permitiu que a estatal venda seguros, títulos de capitalização e atue no mercado de telefonia.
O cenário preocupa empresários e trabalhadores locais, pois o desequilíbrio das estatais pode impactar serviços essenciais e a confiança na economia, além de pressionar as contas públicas.
