Um estudo da Faculdade de Medicina da USP identificou que experiências adversas na infância – como abuso emocional, negligência e bullying – estão relacionadas ao desenvolvimento de transtornos alimentares na vida adulta, reforçando a importância da aceitação corporal e do apoio psicológico.
Os pesquisadores conduziram entrevistas qualitativas com um roteiro de oito perguntas, permitindo que os participantes descrevessem momentos de aceitação e desvalorização na infância e como esses episódios influenciaram suas preocupações com o peso, a forma corporal e os comportamentos alimentares.
A análise temática revelou seis categorias principais, entre elas desaprovação, negligência e estigma corporal. Os relatos apontaram que o abuso emocional foi mencionado quatro vezes, a negligência emocional três vezes, a negligência física duas vezes e o bullying escolar três vezes, indicando padrões recorrentes de não aceitação que se traduzem em controle alimentar e restrição.
Os achados sugerem que dietas e restrições alimentares muitas vezes funcionam como mecanismos para lidar com emoções intensas, vergonha e busca de previsibilidade. No contexto clínico, o estudo destaca a necessidade de integrar a história de vida do paciente ao tratamento, focando em estratégias de aceitação, valorização e compaixão. Serviços de saúde mental, como psicoterapia especializada em transtornos alimentares e grupos de apoio, estão disponíveis nas unidades da USP e no SUS para quem busca ajuda.
Os autores recomendam a realização de pesquisas com amostras maiores e mais diversificadas para aprofundar a compreensão desses vínculos e aprimorar as intervenções clínicas no Brasil.