Benedito Ruy Barbosa morreu no dia 7 de julho, aos 95 anos, encerrando uma trajetória que marcou a teledramaturgia brasileira com novelas ambientadas no interior de São Paulo.
Nascido em Gália, no interior paulista, em 17 de abril de 1931, o autor atuou como escritor, dramaturgo, jornalista e publicitário, trazendo para a televisão as vivências que conhecia.
“A contribuição de Benedito foi decisiva para consolidar na televisão um imaginário sobre o Interior paulista”, afirma Lucas Martins Néia, roteirista e pesquisador.
“Quando a gente pensa na ficção televisiva, quem melhor vai retratar esse imaginário do caipira é justamente o Benedito, por ser do Interior de São Paulo, por conhecer aquele universo muito bem. E ele vai, inclusive, advogar para trabalhar esse Interior e levá-lo ao horário nobre”, explica o pesquisador.
Entre as obras mais conhecidas estão “Sinhá Moça”, “Os Imigrantes”, “Terra Nostra”, “Paraíso” e “O Rei do Gado”, que abordam a imigração, a religiosidade popular, os conflitos fundiários e os ciclos econômicos ligados à terra.
“As novelas tinham um ritmo próprio, mais lento, bem diferente daquele normalmente associado às grandes cidades”, diz Néia, ressaltando a construção gradual das histórias.
Segundo Néia, o legado de Benedito está em mostrar a diversidade do Brasil, rompendo estereótipos sobre o homem do campo e conferindo ao interior paulista um lugar central nas narrativas nacionais.
