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sábado, 22 de agosto de 2026
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Estudo liga consumo paterno de ultraprocessados ao maior peso do bebê ao nascer

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Estudo liga consumo paterno de ultraprocessados ao maior peso do bebê ao nascer
Estudo liga consumo paterno de ultraprocessados ao maior peso do bebê ao nascer

Um estudo realizado em Ribeirão Preto (SP) com 43 famílias atendidas pela rede pública de saúde indica que a alimentação do pai antes da concepção pode influenciar o peso e a composição corporal do recém-nascido. A pesquisa, publicada na revista Nutrition Research, observou que quanto maior o consumo de alimentos ultraprocessados pelos homens, maior o peso ao nascer e o acúmulo de gordura em regiões específicas do bebê, como coxa e abdômen.

O alto peso ao nascer e a adiposidade elevada no início da vida são fatores de risco para doenças cardiovasculares e metabólicas na vida adulta. “A alimentação e a saúde materna antes, durante e após o nascimento do bebê sempre receberam atenção, mas pouco se fala sobre o papel da alimentação paterna. Nosso estudo mostra que ela também importa muito para a saúde do bebê”, afirma Daniela Sartorelli, professora da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP e coordenadora do trabalho.

Os ultraprocessados são formulações industriais com pouco ou nenhum alimento inteiro, como salgadinhos, biscoitos recheados e refrigerantes. A hipótese das pesquisadoras é que esses alimentos afetem a qualidade dos espermatozoides e a expressão de genes transmitidos ao bebê, por meio de mecanismos epigenéticos. “Dietas ricas em ultraprocessados podem gerar um ambiente pró-inflamatório no organismo, afetando a qualidade dos espermatozoides e modificando a expressão de genes que serão transmitidos ao bebê”, explica Mariana Rinaldi Carvalho, bolsista de doutorado da FAPESP e coautora do estudo.

Um dos genes citados é o IGF-II, responsável pelo crescimento fetal e herdado exclusivamente do pai. Estudos anteriores já haviam mostrado que hábitos alimentares paternos podem modificar bioquimicamente esse gene no esperma, influenciando o desenvolvimento do feto. Enquanto o consumo paterno de ultraprocessados foi associado ao maior peso dos filhos, a ingestão desses alimentos pelas mães no início da gestação (até a 16ª semana) foi relacionada a menor peso, menor altura e menor circunferência da cabeça do bebê ao nascer.

O peso ao nascer é considerado um preditor de saúde ao longo da vida, e tanto o baixo quanto o alto peso podem aumentar o risco de doenças não transmissíveis, como diabetes tipo 2 e complicações cardiovasculares. Na pesquisa, os ultraprocessados representaram, em média, 30% da energia total consumida pelos pais, com destaque para embutidos, bebidas açucaradas e biscoitos. “Com esses dois estudos mostramos que não se trata apenas de uma questão de o pai estar acima do peso ou não. A qualidade da dieta paterna antes da concepção tem grande influência na saúde do bebê”, ressalta Sartorelli.

Apesar da amostra pequena, o estudo é pioneiro em investigar o impacto dos ultraprocessados na saúde paterna e neonatal. “Os resultados abrem caminho para pesquisas maiores e reforçam a necessidade de incluir os homens, e não apenas as mulheres, nas orientações de planejamento familiar”, conclui a pesquisadora.

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