sábado, 22 de agosto de 2026
Postado emSão Paulo, Vida e Saúde

Prova Nacional Docente revela desafios na formação de professores

Prova Nacional Docente revela desafios na formação de professores
Prova Nacional Docente revela desafios na formação de professores
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A primeira edição da Prova Nacional Docente, aplicada em 2025 pelo Ministério da Educação, revelou que mais de 260 mil futuros professores não atingiram o nível mínimo de proficiência. O resultado expõe problemas estruturais na formação docente no Brasil, que começam antes da universidade, segundo especialistas da USP.

Pesquisadores apontam que a baixa atratividade da carreira, a qualidade insuficiente de parte dos cursos de licenciatura e as fragilidades da educação básica formam um ciclo que compromete a preparação dos professores. Dados da OCDE indicam que apenas 5% dos jovens brasileiros de 15 anos desejam seguir a profissão, e o Brasil ocupa a última posição em valorização social dos professores, segundo o Global Teacher Status Index 2018.

Roberta Loboda Nastari, pesquisadora do Laboratório de Estudos e Pesquisas em Educação e Economia Social (Lepes) da FEA-RP, destaca que a expansão do ensino a distância (EAD) agravou o cenário. Em dez anos, a proporção de concluintes nessa modalidade subiu de 34% para 66%, e o desempenho desses estudantes na prova foi inferior ao dos presenciais. “Esses resultados ruins não são uma surpresa, mas um reflexo de um sistema que falha desde a formação básica”, afirma.

Outro ponto levantado é a dificuldade dos cursos em integrar o domínio do conteúdo com o conhecimento pedagógico. Estágios supervisionados pouco estruturados afastam os licenciandos da realidade escolar, reduzindo oportunidades de desenvolver habilidades práticas. Roberta defende que os currículos se aproximem das competências da Base Nacional Comum Curricular (BNCC).

Camila Martins de Souza Silva, pedagoga e cocoordenadora do Lepes, ressalta que a formação inicial deve ser parte de um processo contínuo. “Não basta dominar o conteúdo, é preciso saber transformá-lo em experiências que promovam aprendizagem”, diz. Ela defende o fortalecimento dos estágios com supervisão e devolutivas sistemáticas, além de políticas de apoio aos professores iniciantes.

Para Camila, melhorar a formação é indispensável, mas não suficiente. “Precisamos tratar esse problema como uma política sistêmica, que articule qualidade da formação, estágios consistentes, parceria entre universidade e escola, apoio aos iniciantes, formação continuada, carreira, reconhecimento público, remuneração e condições de trabalho”, conclui.

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