Pesquisadores da USP, em parceria com a Unesp e startups, desenvolveram um novo fertilizante inteligente capaz de regenerar solos degradados, um problema que afeta cerca de 135 milhões de hectares no Brasil, segundo o MapBiomas. A tecnologia, baseada em Redes Metal-Orgânicas (MOFs), foi reconhecida no Prêmio Nobel de Química de 2025 e pode trazer benefícios ambientais e econômicos para a agricultura.
O fertilizante atua como uma esponja porosa, carregando substâncias selecionadas que, ao se decompor, fornecem minerais essenciais ao solo. A professora Liane Rossi, do Instituto de Química da USP, explica: “Ele pode funcionar como um regenerador de solo e, portanto, ele poderia ser aplicado em solos degradados para melhorar a possibilidade de agricultura.”
Para produtores rurais de Mato Grosso, estado com forte atividade agropecuária e áreas degradadas, a novidade pode representar uma alternativa para recuperar pastagens e ampliar a produtividade. No entanto, a pesquisadora ressalta que o produto não substitui os fertilizantes tradicionais, mas atua como condicionador, potencializando o aproveitamento dos nutrientes.
O projeto contou com financiamento de 45 meses da Shell e envolveu a MOF Tech, startup responsável pelo escalonamento da produção, e a Quanticom, que conduziu os estudos de campo. Ainda em fase de testes, o fertilizante necessita de novos investimentos para aplicação em larga escala. “A fase atual demandaria mais estudos e em maior escala em campo”, afirma Liane.
Os resultados preliminares indicam melhora no desenvolvimento das plantas e na saúde do solo, mas a professora reforça que são necessárias novas etapas de validação antes da disponibilização comercial.