sábado, 22 de agosto de 2026
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Unicamp concede Honoris Causa a Conceição Evaristo, primeira mulher negra a receber o título

Unicamp concede Honoris Causa a Conceição Evaristo, primeira mulher negra a receber o título
Unicamp concede Honoris Causa a Conceição Evaristo, primeira mulher negra a receber o título
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Em decisão histórica, a Unicamp aprovou nesta terça-feira (4) a concessão do título de Doutora Honoris Causa à escritora Conceição Evaristo, tornando-a a primeira mulher negra a receber essa honraria na universidade. A proposta, apresentada pelo Instituto de Estudos da Linguagem (IEL), foi aprovada por unanimidade no Conselho Universitário (Consu), com aplausos de pé. O bioquímico uruguaio Rafael Radi também teve seu nome aprovado para receber o título, em reconhecimento à sua contribuição científica.

Durante a sessão, representantes de diversas unidades da universidade manifestaram apoio à homenagem, destacando a relevância da autora para a literatura brasileira e para o debate sobre relações raciais. O reitor Paulo Cesar Montagner afirmou: “É um momento, realmente, muito valioso para todos nós”. Já o coordenador-geral da Unicamp, Fernando Coelho, ressaltou que a iniciativa reconhece não apenas a importância literária de Evaristo, mas também sua contribuição para a reflexão sobre as relações raciais no Brasil, citando o apagamento histórico da produção intelectual negra.

O diretor do IEL, Petrilson Alan Pinheiro da Silva, destacou que a escritora se tornou referência para gerações de leitores, especialmente para aqueles que historicamente não se viam representados na literatura brasileira. “Conceição Evaristo recupera e atualiza a tradição oral afro-brasileira ao reivindicar o direito de pessoas negras narrarem suas próprias histórias”, afirmou. Ele também lembrou versos do poema “Da calma e do silêncio”, que inspiraram o título da 36ª Bienal de São Paulo.

A diretora da Faculdade de Educação, Débora Cristina Jeffrey, classificou a aprovação como um momento histórico, afirmando que a homenagem ultrapassa o reconhecimento individual e valoriza a produção intelectual de autores negros. Ela citou trechos do livro “Olhos d’Água”, de 2014, que estabelecem relações entre a figura materna, a simbologia de Oxum e a construção da identidade negra. O conselheiro Reginaldo Alves, do IFCH, acrescentou que a escritora “redefine os contornos da literatura brasileira contemporânea e tensiona os limites históricos da representação no campo cultural”.

O bioquímico uruguaio Rafael Radi, indicado pelo Instituto de Biologia (IB), também foi aprovado para receber o título. Com mais de 360 artigos científicos publicados, Radi é reconhecido por sua atuação na articulação de redes de pesquisa na América Latina. O diretor do IB, Hernandes de Carvalho, justificou a homenagem pela combinação entre excelência científica, inovação e compromisso com a integração da pesquisa latino-americana.

As solenidades de outorga dos títulos ainda serão marcadas pela universidade.

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