O Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) criou o Banco de Tecidos Oculares Humanos (BTOH) para ampliar a oferta de córneas para transplante e reduzir o tempo de espera dos pacientes. Segundo dados do Conselho Brasileiro de Oftalmologia, o tempo médio de espera por um transplante de córnea no Brasil é de 374 dias, e mais de 6 mil pessoas aguardam pelo procedimento apenas no Estado de São Paulo.
A professora Ruth Miyuki Santo, responsável técnica pelo BTOH, destaca a importância da doação de órgãos e tecidos. “Mesmo após a morte, o doador torna possível a recuperação da visão e da qualidade de vida de duas pessoas com problemas decorrentes de danos na córnea. É um verdadeiro ato de amor ao próximo”, afirma.
O processo de captação segue protocolos rigorosos para garantir a segurança do receptor. Antes da retirada do tecido, a equipe investiga o histórico clínico do doador e verifica contraindicações, como infecção generalizada, causa da morte desconhecida, tumores oculares e doenças hematológicas, como leucemia. Exames sorológicos também são realizados para identificar infecções virais transmissíveis.
Após a captação, o tecido passa por nova avaliação de qualidade no banco antes da remoção da córnea e liberação para transplante. A córnea pode ser preservada por até 14 dias. O rigor em todas as etapas é essencial para o sucesso do procedimento.
A equipe do BTOH conduz todo o processo com segurança e sensibilidade, abordando famílias em luto para solicitar a doação e avaliando criteriosamente o histórico do doador e a qualidade da córnea. Além disso, atua na conscientização da população sobre a importância da doação de órgãos e tecidos, contribuindo para reduzir o tempo de espera por transplantes.
