Dietas veganas bem planejadas não oferecem vantagem nem desvantagem no desempenho esportivo em comparação às onívoras, afirma Hamilton Roschel, professor da USP. No entanto, o especialista alerta que a falta de equilíbrio nutricional pode ser prejudicial em qualquer tipo de dieta.
Roschel, que também é diretor do Centro de Medicina do Estilo de Vida da FMUSP, critica a visão automática de que veganismo é sinônimo de saúde. Ele ressalta que o crescimento do número de veganos aumentou a oferta de ultraprocessados à base de plantas, que ‘em muitos casos, são tão ruins quanto’ os produtos de origem animal.
O pesquisador atribui os equívocos sobre dietas vegetais ao ‘absoluto desconhecimento de nutrição, de fisiologia e da área biomédica como um todo’. Sobre as proteínas, ele explica que é possível atingir as necessidades diárias com vegetais, desde que se aumente o consumo ou se escolham combinações adequadas: ‘Comer mais, até atingir a quantidade necessária. Ou pensar em combinações e produtos de origem vegetal que têm a densidade proteica aumentada’.
Roschel também menciona a associação entre carne e masculinidade, que muitas vezes leva a preconceitos: ‘Tem até uma coisa de machosfera envolvida’. Apesar disso, atletas de elite como Lewis Hamilton e Novak Djokovic adotaram dietas veganas e relatam bons resultados.
No futebol, o Forest Green Rovers, da Inglaterra, adotou cardápio vegano em 2015 e, anos depois, conquistou o acesso à terceira divisão. No Brasil, o Clube Laguna, no Rio Grande do Norte, é o primeiro time vegano do país e o segundo do mundo. Em quatro anos, venceu o Campeonato Potiguar da segunda divisão e, em 2026, disputou a Copa do Brasil e a Série D.
