O estágio superior do foguete Falcon 9, da SpaceX, colidiu com a Lua na madrugada desta quarta-feira (5). O impacto, visível com telescópios, foi acompanhado por astrônomos amadores e profissionais. Para a ciência, o evento é uma chance única de estudar a colisão de um objeto conhecido com a superfície lunar.
Segundo Luna Fontana Formigari, tecnologista da Agência Espacial Brasileira (AEB) e mestra em Física pela USP, as observações permitirão aperfeiçoar os modelos físicos usados para prever impactos e seus efeitos. “Essa observação permite refinar os modelos físicos que predizem essas colisões e seus efeitos”, afirma.
O episódio também servirá para testar equipamentos e a capacidade de detectar e monitorar eventos na Lua. Os dados obtidos podem ajudar a avaliar riscos para futuros astronautas e infraestruturas no satélite, diante da queda de detritos espaciais.
Luna explica que o estágio do foguete atinge a superfície lunar sem se fragmentar, produzindo um clarão de menos de um segundo. Em seguida, forma-se uma nuvem de regolito lunar, camada de poeira e fragmentos de rochas. “Depois que essa nuvem assentar, deverá se formar uma cratera com algumas dezenas de metros de diâmetro”, diz.
Embora o clarão tenha sido visível da Terra, a cratera resultante só poderá ser registrada por equipamentos altamente especializados. A pesquisadora ressalta que o destino final de estágios de foguetes é definido por critérios técnicos e normas internacionais, considerando tratados, diretrizes para redução de detritos e o uso sustentável do espaço. “Esse evento é seguro e, ao mesmo tempo, oferece uma importante oportunidade para a observação científica desse tipo de colisão”, conclui.