sábado, 22 de agosto de 2026
Postado emSão Paulo, Vida e Saúde

Comunidades indígenas reinventam proteção territorial em fronteiras das Américas

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Comunidades indígenas reinventam proteção territorial em fronteiras das Américas
Comunidades indígenas reinventam proteção territorial em fronteiras das Américas

Com o avanço do crime organizado e a intensificação do tráfico de drogas, comunidades indígenas em fronteiras das Américas estão criando estratégias próprias de proteção territorial. Essas experiências serão debatidas em um encontro internacional no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Unicamp, nos dias 13 e 14 de agosto.

O evento “Segurança Comunitária Indígena e Autodeterminação – Casos em Fronteiras das Américas” reunirá pesquisadores, lideranças indígenas e especialistas do Brasil, Colômbia, Argentina e Canadá. A antropóloga Susana Durão, coordenadora do Programa de Extensão Magüta, destaca que, quando o Estado não oferece respostas rápidas, a ausência também produz efeitos nas comunidades.

Para a antropóloga canadense Beatrice Jauregui, da Universidade de Toronto, o encontro será uma oportunidade inédita de troca de conhecimento. Ela ressalta semelhanças entre Brasil e Canadá, como a complexidade de administrar a segurança pública de diversas populações, incluindo múltiplas comunidades indígenas, que enfrentam problemas sociais e o crime organizado transnacional nas fronteiras.

O ticuna Ailton Sampaio Pinto, da Terra Indígena Tukuna Umariaçu, no Amazonas, define o trabalho de segurança comunitária como “cuidar da comunidade”. Ele relata desafios como tráfico de pessoas, drogas e desmatamento, e destaca que iniciativas como a Polícia Indígena do Alto Solimões (Piasol) e os grupos de Segurança Comunitária Indígena (Segcum) têm atuado no monitoramento e mediação de conflitos.

O evento também discutirá o conceito de autodeterminação dos povos originários, previsto na Constituição e em instrumentos internacionais. Segundo Durão, ainda não há consenso sobre os formatos indígenas de autoproteção, e o objetivo é dar voz às próprias comunidades. “Não queremos que eles apenas assistam aos acadêmicos falando sobre suas realidades”, afirma.

O Programa Magüta, desenvolvido desde 2023 com comunidades Ticuna, realizou oficinas de cartografia social para mapear violências e discutir temas como moradia e segurança. A estudante Elivany Macario Avelino, integrante do programa, conduziu uma atividade sobre transformações das casas e seu impacto na qualidade de vida e na sensação de segurança.

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