Uma pesquisa do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades da USP (MADE) indica que políticas fiscais redistributivas podem ser conciliadas com a estabilidade da dívida pública. O estudo, divulgado recentemente, sugere que investimentos sociais, em vez de comprometerem as contas públicas, podem estimular a economia e ampliar a arrecadação de impostos.
De acordo com os pesquisadores, a política fiscal, que envolve o controle de gastos e a arrecadação de tributos, não precisa se limitar a cortes de despesas. A simulação de diferentes cenários mostrou que o aumento de gastos em programas sociais, saúde e educação pode gerar crescimento econômico, especialmente porque famílias de baixa renda tendem a consumir uma parcela maior de sua renda, o que impulsiona a atividade produtiva e a receita tributária.
Clara Brenck, coordenadora da área de Política Fiscal do MADE, destaca que a forma como os recursos são aplicados é tão importante quanto o controle dos gastos. Desde 2023, o Brasil adota o Regime Fiscal Sustentável, que limita o crescimento das despesas a 70% do aumento da arrecadação, com pisos e tetos para permitir flexibilidade em crises e evitar expansão excessiva em períodos de crescimento.
Para empresários e trabalhadores locais, a pesquisa traz um alento: a possibilidade de conciliar desenvolvimento social com responsabilidade fiscal pode significar um ambiente econômico mais estável e com maior potencial de consumo. No entanto, a implementação de tais políticas exige planejamento cuidadoso e monitoramento constante dos indicadores fiscais.
O estudo reforça que o debate sobre o equilíbrio das contas públicas deve ir além do corte de despesas, considerando estratégias que promovam o crescimento e a redução das desigualdades, sem comprometer a sustentabilidade da dívida.