A professora Carmem Leitão, da Universidade Federal do Ceará (UFC), inicia nesta semana uma residência no Instituto de Estudos Avançados da Unicamp (IdEA) com o objetivo de discutir os desafios do Sistema Único de Saúde (SUS) e seu vínculo com a democracia. Até outubro, ela participará de palestras, rodas de conversa e reuniões com gestores e pesquisadores, abordando o tema “Democracia, políticas sociais e fortalecimento do SUS”.
Para Leitão, fortalecer o SUS é também fortalecer a democracia, já que o sistema foi criado pela Constituição de 1988 como um direito universal. Ela ressalta que a consolidação do SUS depende não apenas de recursos financeiros, mas também do fortalecimento das instituições democráticas e da participação social.
A pesquisadora observa que o país vive um período de reconstrução democrática, com disputas em torno das políticas sociais e questionamentos ao papel do Estado e da ciência. Nesse cenário, ela defende que é preciso ampliar a capacidade das instituições públicas de garantir direitos e reduzir desigualdades.
Durante a residência, Leitão também vai discutir a regulamentação da profissão de sanitarista, que atua em áreas como planejamento, vigilância e gestão do SUS. Para ela, o reconhecimento jurídico desses profissionais é um avanço importante para qualificar o sistema.
A programação inclui atividades com médicos residentes, secretários municipais de saúde e estudantes, além de visitas a serviços públicos. O objetivo é fortalecer a cooperação entre a Unicamp e a UFC e aproximar a universidade dos desafios concretos da saúde pública.
Entre os resultados esperados estão pesquisas conjuntas, intercâmbios e a documentação de experiências que mostrem a contribuição da universidade para o SUS. Para a próxima década, Leitão aponta como desafio central garantir as bases políticas e financeiras para um sistema público e universal, reduzindo desigualdades regionais e fortalecendo a atenção primária.