A hematidrose, condição raríssima em que a pessoa elimina sangue pela pele, geralmente associado ao suor, ainda é um mistério para a medicina. Embora descrita desde a antiguidade, a doença tem poucos casos documentados e não possui tratamento específico, sendo o controle do estresse a principal forma de prevenção.
Segundo o dermatologista Marco Andrey Cipriani Frade, da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto, o mecanismo exato do sangramento não é totalmente conhecido. “Provavelmente ocorre um aumento da pressão na microvasculatura da pele, levando ao rompimento de pequenos vasos e ao extravasamento de sangue para os ductos das glândulas sudoríparas”, explica.
O especialista afirma que a condição costuma surgir em episódios de intenso estresse físico ou emocional, como após assaltos, acidentes, medo extremo ou risco de morte. “O fator mais frequentemente implicado e documentado na literatura é o estresse intenso, o medo e situações de grande tensão emocional, que podem desencadear o rompimento desses pequenos vasos”, diz.
Não há evidências de que calor extremo ou pressurização em voos causem a hematidrose. Os relatos científicos apontam principalmente o estresse como gatilho. Como não existe cura, o manejo é focado em identificar e controlar os fatores desencadeantes, especialmente a ansiedade.
“Não há relatos na literatura sobre tratamentos curativos. O mais importante é aprender a lidar com as situações que aumentam a pressão na microvasculatura da pele, reduzindo assim o risco de novos episódios”, conclui o dermatologista.