sábado, 22 de agosto de 2026
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Conceição Evaristo recebe Honoris Causa da Unicamp e defende reconhecimento plural

Conceição Evaristo recebe Honoris Causa da Unicamp e defende reconhecimento plural
Conceição Evaristo recebe Honoris Causa da Unicamp e defende reconhecimento plural
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Em visita à Unicamp nesta quinta-feira (6), a escritora Conceição Evaristo, de 79 anos, agradeceu o título de Doutora Honoris Causa concedido pela universidade, o primeiro a uma mulher negra na história da instituição. Ela destacou que a honraria deve ser compartilhada com outras intelectuais negras, como Lélia Gonzalez, Beatriz Nascimento e Carolina Maria de Jesus, cujas contribuições não tiveram a mesma visibilidade em suas épocas.

“Peço apenas que não seja somente a primeira, mas que abra perspectivas. Esse reconhecimento também deve alcançar intelectuais negras que tiveram papel fundamental na construção do pensamento brasileiro”, afirmou Evaristo durante aula aberta no Auditório da Comvest, que atraiu centenas de pessoas. A atividade integrou as celebrações dos 40 anos do Vestibular da Unicamp e contou com apoio do IFCH e do Projeto Afro Memória.

Mais cedo, a escritora visitou o Arquivo Edgar Leuenroth (AEL) para discutir parcerias de preservação de seu acervo, que já soma 26 caixas de documentos. A Casa Escrevivência, no Rio de Janeiro, manterá a guarda dos originais, enquanto o AEL oferecerá apoio técnico em catalogação, digitalização e conservação. A professora Márcia Lima, do Afro-Cebrap, reforçou que a visita marca o início de uma importante cooperação.

Para o professor Aldair Rodrigues, do IFCH, a presença de Evaristo consolida uma política institucional de valorização da memória negra. “É necessário ampliar o espaço para referências produzidas pela população negra e para acervos organizados e preservados por seus próprios protagonistas”, disse. O sociólogo Paulo César Ramos destacou o caráter simbólico do título, e o diretor associado do IFCH, Sávio Cavalcante, afirmou que a obra da escritora inspira reflexões sobre o futuro do país.

Evaristo também defendeu as ações afirmativas como instrumentos de reparação histórica. “As cotas não devem ser encaradas como favor, mas como instrumentos de reparação diante de uma dívida histórica com a população negra”, concluiu a primeira mulher negra a receber o título na Unicamp.

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