O professor Leonardo Fernandes Fraceto, da Unesp, tornou-se o primeiro brasileiro indicado ao programa ACS Fellows, da American Chemical Society (ACS). A honraria reconhece contribuições científicas de destaque e a atuação no fortalecimento da comunidade internacional da sociedade.
Fraceto, docente do Instituto de Ciência e Tecnologia, câmpus de Sorocaba, foi reconhecido por duas frentes: 20 anos de pesquisas em nanotecnologia aplicada à agricultura e uma década de participação em atividades de liderança e voluntariado na ACS. A indicação foi feita pelo comitê internacional da entidade, que destacou o impacto de seu trabalho para além da academia.
“Eu acho que ter um reconhecimento é sempre importante na carreira do pesquisador. São pares que estão te avaliando, pessoas que muitas vezes você não conhece, então isso é uma validação do trabalho que estamos fazendo no dia a dia”, afirmou Fraceto.
Na carta de indicação, Michael B. McGinnis, chair do ACS International Activities Committee, ressaltou a colaboração do professor com mais de dez startups de agrotecnologia e empresas multinacionais do setor agroquímico. Entre os resultados estão formulações de pesticidas baseadas em nanocarreadores, patentes e pesquisas para herbicidas e biopesticidas mais eficientes e ambientalmente responsáveis.
“Por mais de duas décadas, sua pesquisa inovadora em nanopartículas moldou a indústria de herbicidas e biopesticidas ao melhorar a eficácia, reduzir o impacto ambiental e apoiar a segurança alimentar”, escreveu McGinnis.
Um dos trabalhos destacados é a nanoencapsulação do glifosato com polímeros naturais, que busca aumentar a eficiência do herbicida e reduzir seu impacto ambiental. Na ACS, Fraceto atuou no International Chapter for Brazil e integra o International Activities Committee, onde participou de discussões de políticas globais e do plano estratégico do comitê para 2023.
Na Unesp, coordena o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Nanotecnologia para Agricultura Sustentável (INCT NanoAgro) e é coordenador de inovação do CEPID Bioclima. Para ele, o reconhecimento é coletivo: “Estou à frente de um grupo de pessoas que trabalham comigo. O reconhecimento é nominal, mas atrás do Leonardo há infinitas pessoas que também colaboraram. A construção é sempre coletiva.”
