Os assistentes de voz, como Alexa, Siri e Google Assistente, tornaram-se parte da rotina de milhões de brasileiros, mas levantam importantes questões sobre privacidade. Embora as empresas afirmem que os dispositivos só começam a gravar após ouvir a palavra de ativação, ativações acidentais podem fazer com que trechos de conversas sejam enviados e armazenados em seus servidores.
Na coluna desta semana, Luli Radfahrer destaca que essa tecnologia oferece benefícios reais, especialmente para pessoas com deficiência, mas também contribui para a normalização da vigilância digital. Segundo ele, a troca de conveniência por dados pessoais ocorre de forma gradual, reforçando o chamado “capitalismo de vigilância”, conceito da pesquisadora Shoshana Zuboff.
O especialista orienta que os usuários revisem as configurações de privacidade, desativem o histórico de áudio, utilizem contas exclusivas para esses dispositivos e os desliguem quando não estiverem em uso. No entanto, ressalta que medidas individuais são insuficientes e defende maior regulação, transparência das empresas e um debate público sobre a proteção dos dados pessoais.
A coluna Datacracia, com o professor Luli Radfahrer, vai ao ar quinzenalmente, sexta-feira às 8h, na Rádio USP (São Paulo 93,7 ; Ribeirão Preto 107,9 ), com produção da Rádio USP Jornal da USP e TV USP.