sábado, 22 de agosto de 2026
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Estudo analisa ataques de extrema-direita a instituições de conhecimento

Estudo analisa ataques de extrema-direita a instituições de conhecimento
Estudo analisa ataques de extrema-direita a instituições de conhecimento
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Um estudo publicado na Revista Brasileira de Sociologia investiga como grupos de extrema-direita utilizam discursos de ódio, desinformação e performances políticas nas redes sociais para atacar instituições de produção de conhecimento científico. O ponto de partida são as invasões à Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, registradas ao longo de 2025. Os autores defendem que essas estratégias configuram uma nova forma de “fascismo em rede”, baseada na circulação digital de narrativas de ódio ao conhecimento crítico e de resistência à democracia.

“As instituições de ensino superior, especialmente aquelas voltadas às ciências humanas, vêm sendo, há décadas, alvo de discursos que as acusam de promover doutrinação ideológica de esquerda”, afirma Marcelo de Trói, professor da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP e primeiro autor do artigo. Segundo ele, esse discurso ganhou força com a ampliação das redes sociais, alimentando ações de confronto contra instituições acadêmicas.

Trói define o fascismo em rede como uma forma de organização política baseada nas novas tecnologias de comunicação, que mantém vínculos com o fascismo histórico. “No fascismo em rede, a mobilização política se desloca para plataformas digitais, onde vídeos, memes, influenciadores e algoritmos potencializam a circulação de discursos autoritários, antidemocráticos e anti-intelectuais”, explica.

Os participantes das ações gravam os ataques, editam os vídeos e os publicam nas redes sociais para reforçar a narrativa de combate à “doutrinação esquerdista”. “As agressões vão além do discurso: são encenações planejadas para produzir conteúdo, ampliar o engajamento e conquistar visibilidade no ambiente digital”, diz Bruno Ciorlia Nascimento, segundo autor do artigo e estudante de Gestão de Políticas Públicas na EACH.

Para Nascimento, a FFLCH tornou-se alvo por ocupar um lugar de destaque na produção de conhecimento e na formação do pensamento crítico no Brasil. Os ataques fazem parte de um movimento mais amplo de contestação às ciências humanas, que inclui mudanças curriculares e narrativas como as do Escola sem Partido. “Essas narrativas têm caráter ideológico e não encontram respaldo em evidências, mas contribuem para alimentar ataques às instituições de ensino superior”, afirma.

O estudo registrou oito episódios de invasões e confrontos na FFLCH ao longo de 2025, envolvendo influenciadores digitais conservadores, estudantes e agentes políticos. O diretor da unidade, Adrián Pablo Fanjul, afirma que o alvo é a USP como instituição, a fim de desacreditá-la.

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